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A Página Pessoal que Informa o Amputado

Experiência Própria

A Cabeça

É forte a realidade.

É forte a transformação.

Acima de tudo é forte a cabeça.

A gente consegue.

Perdi minha perna aos quatorze anos num acidente de carro. Menina, adolescente, cidade pequena cheia de preconceitos.

Já no hospital não lamentei. Olhei para frente e vi um horizonte. Nesse horizonte estavam todos os iguais. Era claro para mim que igual eu não era mais. Eu tinha duas escolhas: posicionar-me abaixo dessa linha lamentando e lastimando, ou me posicionar acima da linha fazendo dessa minha diferença um trunfo.

Que trunfo?

O trunfo do aprendizado. Resolvi que iria aprender tudo de bom que essa experiência difícil tivesse para me ensinar. A primeira coisa foi entender o significado de preconceito. Um conceito pré estabelecido, ou seja, um conceito que vem antes do conhecimento da coisa em si. Pessoas que insistem no preconceito têm uma dificuldade enorme de pensar grande, dessa forma fica evidente que elas têm um problema. Algumas pessoas aprendem, outras não.

Pensa comigo:

Se eu tivesse escolhido ficar abaixo da linha, sentindo-me uma coitada, o preconceito teria me sufocado.

Ao contrário, já que eu defini a posição acima da linha, o preconceito se transformou em instrumento. Quando ele aparece, primeiro eu tenho a oportunidade de mostrar, através da minha postura de vida, como cada um de nós é forte e pode vencer batalhas. Se a pessoa insiste no preconceito fica claro para mim que ela tem problemas. Há aí uma inversão - o preconceito é discriminatório, mas na verdade ele discrimina quem o tem.

As dificuldades práticas existem, mas para elas só há uma opção: vencê-las uma a uma.

Encarar a realidade de frente é a chave. O esforço pessoal só traz lucro. O apoio dos familiares é importantíssimo, mas lidar bem com a amputação é uma batalha pessoal diária. Se "você" quer "você" consegue.

Traduções, entrevistas e construção do site: Suzana Fonseca

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